Tuesday, January 26, 2016

toWat$h: The Midas Formula: Trillion Dollar Bet

Esse não é um documentário para qualquer um. Tem que gostar de finanças, mas não só isso. Tem que se questionar sobre os princípios matemáticos por trás da arte de ganhar dinheiro. É esse o tema do documentário "The Midas Formula: Trillion Dollar Bet", que contextualiza a trajetória do fundo americano Long-Term Capital Management (LTCM) e seus gestores, que inclusive foram premiados com o 1997 Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel*.

Fonte: http://static.guim.co.uk/sys-images/Observer/Columnist/Columnists/2012/2/9/1328804628425/PAKISTAN-STOCKS-YEAR-008.jpg

Ganhar dinheiro no mercado financeiro divide até hoje cientistas e operadores. A discussão remonta a trabalhos de estatística do século XIX. Há quem - com doutorados em matemática, física e afins - entenda que mexer com isso é a mesma coisa que jogar roleta em um cassino, por exemplo. Não existe previsibilidade, não existe memória de mercado, tudo pode mudar de uma hora para outra. E do outro lado, os players antigos, como também engenheiros financeiros, matemáticos e cientistas em geral, enfim, homens de negócios cheios de histórias para contar, com suas teorias e explicações de como ganhar ou perder do mercado.

Em meio a esse cenário, dois economistas, Fischer Black e Myron Scholes, publicam em 1973 o trabalho "The Pricing of Options and Corporate Liabilities", que fornece um modelo de precificação de opções que, utilizado da forma correta, praticamente elimina o risco em operações complexas. Já era possível fazer muito dinheiro, mas veio então Robert C. Merton e publicou "Theory of Rational Option Pricing". As descobertas foram tão impactantes que motivaram o 1997 Prize in Economic Sciences para Merton e Scholes (Black havia falecido, o que não o impediu de também ser homenageado in memorian). Ironicamente, cerca de 1 ano após o prêmio, em 1998 os cientistas estariam tendo que se explicar ao FED por um rombo de US$ 2 bilhões.

Mas vamos chegar lá. Com a base científica e os autores dispostos a trabalhar no mercado financeiro, em 1994 foi constituído o LTCM, um verdadeiro dreamteam do mercado financeiro: John W. Meriwether (ex-Salomon Brothers), Scholes e Merton como diretores. O mercado como um todo celebrou esse novo player. O LTCM conseguiu captar muito capital em pouquíssimo tempo. O fundo ia muito bem, em 1997 o retorno anual foi de 27%, um número muito bom à época, o que coroava todo o trabalho matemático que servia de base às operações financeiras então realizadas.

Veio o ano de 1998. O ano de 1997 já havia sido um ano cheio de surpresas, com a crise na Ásia, mas em agosto de 1998 veio o calote da Rússia, e os efeitos no LTCM foram brutais. Em termos gerais, a estratégia baseada no modelo Black-Scholes previa uma coisa, mas o mercado reagiu de outra forma, em total prejuízo ao LTCM. O FED foi obrigado a intervir, leiloando o LTCM a um pool de financeiras. Estima-se que o prejuízo à época foi de cerca de US$ 5 bilhões.

A trajetória do LTCM hoje é contada como exemplo de como é incerto o mercado financeiro e quão traiçoeira é a ideia de predizer o futuro ou se blindar dele. Muito se escreveu e ainda se escreve sobre o episódio (artigos do Michael Lewis no New York Times e o livro "When Genius Failed", do Roger Lowenstein), muita gente foi presa, perdeu e ganhou dinheiro. Tal como a discussão sobre a arte de ganhar dinheiro no mercado financeiro, é atual a discussão sobre os usos e abusos na utilização da fórmula, isto é, se o LTCM cometeu erros que podem ser superados por um outro tipo de formulação de estratégia de investimentos, se diminuindo os valores envolvidos, se restringindo a escolha dos ativos, etc.. 

De todo modo, a fórmula continua sendo usada, como realmente tem que ser. A fórmula Black-Scholes chega bem perto do futuro, mas não exatamente. 

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Notas:
*Erroneamente chamado no Brasil de Prêmio Nobel de Economia. Não é, é um prêmio em homenagem ao Alfred Nobel, diferente dos prêmios instituídos por ele.

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