Estou terminando de ler o livro "So Good They Can't Ignore You" do Cal Newport e provavelmente vou voltar a escrever sobre isso. É um best-seller sobre carreira, uma dessas leituras que você busca para se atualizar.
Assim de repente pode ser que não entendam a relação existente entre um tema aparentemente de autoajuda e finanças, mas é bom que essa seja apenas uma primeira impressão. Os novos empregos, as novas oportunidades, os novos negócios que estão sendo feitos hoje em dia demandam pessoas com um perfil diferente do que estamos acostumados a acreditar. É preciso perceber isso o quanto antes, antes mesmo que você seja surpreendido por alguém mais novo que você fazendo coisas que você não faz e ganhando muito mais dinheiro do que você.
É curioso pra mim que esse livro não tenha tradução para o português. Muita gente está perdida na carreira, têm sérias dúvidas sobre o que estão fazendo. Inclusive o autor do livro é uma pessoa bem ativa e mantém um blog, iniciado para ajudar estudantes a se darem bem na escola, o Study Hacks Blog. Tem bastante coisa legal lá - tudo em inglês -, e o que me chamou atenção num primeiro momento foi o "The Career Craftsman Manifesto" ("Manifesto do Escultor de Carreira", numa tradução livre).
Dada a importância e o conteúdo de manifesto, me senti na obrigação de compartilhar o mais rápido possível, fazendo uma tradução livre para atingir mais gente.
PS: Se você ainda acha que é besteira, como o próprio termo pode sugerir, o Cal Newport deu uma palestra para o Google, como vocês podem observar aqui.
***
by Cal
Newport
on Aug 11th,
2011
Sobre
filosofias de base
Em
2008, introduzi “the Zen Valedictorian philosophy”, que defendia ser possível
levar uma vida de estudante que fosse bem-sucedida, de impacto e, ao mesmo
tempo, de baixo stress e divertida. Todos meus conselhos para estudantes são
voltados para atingir esse objetivo.
Recentemente,
se volta a minha atenção para o fato de que eu não tenho uma visão clara
similar para meus conselhos de carreira. Se o “Zen Valedictorian” é a epítome
do que eu acho que a vida estudantil deveria ser, qual é a minha abstração
equivalente para maximizar a vida após a graduação?
A
necessidade para esta resposta me levou a desenvolver o mais novo cânone dos hacks
de estudo: o Escultor de Carreira. Introduzo esta filosofia abaixo em formato conciso
de manifesto. Essas ideias são um trabalho em progresso, e as proposições que
seguem marcam o início da minha exploração desta nova direção em meu
pensamento.
Um Manifesto de Carreira
Conselhos
de carreira caíram em uma terrível e simplista idiotice. Descubra sobre o
que você é apaixonado, então siga esta paixão: esta ideia proporciona o
fundamento para todo e qualquer guia para melhorar sua vida de trabalho.
O
escultor de carreira rejeita essa besteira reducionista.
O
escultor de carreira entende que “seguir sua paixão e tudo o que lhe
fizer feliz” é um conto de fadas. A maioria das pessoas não tem paixões
preexistentes esperando para serem desenterradas. Felicidade requer mais que
resolver um simples problema.
O
escultor de carreira sabe que não há um “trabalho certo” mágico
esperando lá fora por você. Nenhum número de perseguições pode proporcionar o
fundamento de uma vida engajada.
O
escultor de carreira acredita que carreiras atraentes não são [/existem
para serem] perseguidas de forma corajosa ou inesperadamente descobertas, mas
são pelo contrário sistematicamente construídas de modo artesanal.
O
escultor de carreira acredita que esse processo de “modelagem de
carreira” sempre começa com a maestria de algo raro e valioso. As características
que definem um grande trabalho (autonomia, criatividade, impacto,
reconhecimento) são raras e valiosas por si mesmas e que você precisa oferecer
algo em troca de retorno. Em outras palavras: ninguém tem obrigação moral de
dar a você um trabalho que preencha suas expectativas; você tem que
conquistá-lo.
O
escultor de carreira acredita que a maestria é só o primeiro passo na
modelagem do trabalho que você ama. Uma vez que você tenha a alavanca de uma
rara e valiosa habilidade, você precisa aplicar esta alavanca estrategicamente
para fazer com que sua vida profissional seja cada vez mais satisfatória. Só então
– e somente então – que você deveria esperar um sentimento de paixão pelo seu
trabalho para [/a ponto de] agarrá-lo de verdade.
O
escultor de carreira acha que a ideia de “expectativas sociais” estão
tentando te jogar para baixo em um caminho seguro, mas chato, de carreira, que
é um bicho-papão inventado para vender ebooks. Você não precisa de coragem para
criar sua vida legal. Você precisa de um tipo valioso de habilidades que te
levarão a escrever seu próprio destino.
O
escultor de carreira nunca espera amar um trabalho de nível iniciante (ou
ficar em um trabalho muito tempo antes de mudar para outro).
Um
escultor de carreira pensa que “essa é minha vocação?” é uma pergunta estúpida.
Um
escultor de carreira se baseia em dados/fatos. Você admira a carreira de
alguém? Trabalhe em descobrir exatamente como eles fizeram acontecer. As
respostas que você encontrará serão menos românticas, porém mais praticáveis,
do que você poderia esperar.
O
escultor de carreira acredita que a cor do seu paraquedas é irrelevante
se você se dedicar a se tornar um bom piloto de avião.
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